Voltei. Com 42 quilos a menos!

Nossa. Oi.
Nem sei por onde começar. Já iniciei este post 3x, em 3 momentos diferentes. Mas vamos direto ao assunto: Eu fiz a bariátrica!
(chuva de perguntas na sua cabeça!)

Pois é, em 20 de março de 2018 eu passei pelo procedimento cirúrgico, com 127,6 kg. E é taaaaanta coisa para contar, tantos sentimentos, tantas dificuldades, mas vamos começar pelo começo:

 

COMO EU ME DEIXEI CHEGAR AOS 127 QUILOS?

Desde 2016 minha vida começou a dar uma reviravolta, para melhor. No meu último post antes da bariátrica eu contei que tinha virado sócia da agência, estava trabalhando para um senhor caralho, além de estar fazendo pós-graduação, TCC, freela… e dali pra frente só “piorou” rsrsrs eu adotei um cachorro, o Paçoca, e “casei”, meu namorido e eu alugamos um apê e a agência cresceu, eu comecei a comandar mais funcionários na minha equipe, enfim, o que eu menos me preocupava era em acordar cedo pra malhar e comer saudável.

 

@ogolden.pacoca

 

Nesta fase eu procurei ajuda de uma psicóloga, pois eu achava que estava tudo bem mas no fundo eu estava era surtando com tantas responsabilidades. Em toda sessão eu dizia para a psicóloga que não me aceitava gorda, que eu não queria engordar, que eu queria ter um equilíbrio para não descontar o emocional na comida, porém toda sessão ela me convencia de que eu não era a Mulher Maravilha para dar conta de tudo e ainda me preocupar com meu corpo, que tudo bem comer um hambúrguer ou tomar uma cerveja. ELA LIBERTOU O MONSTRO! Sério, tomei isso como verdade e me desequilibrei mais ainda. Pensava: Eu, nessa altura do campeonato da minha vida, vou negar uma cerveja? Vou negar um brigadeiro? Eu mereço é VIVER, chega de restrições pra tentar ter um corpo perfeito. Foi muito cômodo eu fingir que estava me aceitando naquele corpo. E cada vez eu comia mais, cada vez eu engordava mais, cada vez eu me preocupava menos e cada vez eu estava com minha autoestima lá no pé. Até que toda a turbulência passou, a agência se estabilizou, entreguei meu TCC, nos adaptamos no novo apartamento e com o Paçoca, e eu me olhei no espelho e pensei: PUTA QUE PARIU, A QUE HORAS EU FIQUEI DESTE TAMANHO? Nenhuma roupa mais me servia, eu já não me reconhecia, já não queria mais tirar fotos, fazer vídeos, stories, já não queria mais sair de casa por vergonha, não cabia mais em cadeiras com braço e só me via de legging e camiseta. Vontade zero de fazer qualquer coisa. Além disso, eu comecei a ter alguns problemas mas eu não queria acreditar que estavam associados à obesidade. Uma vez eu tive uma bela crise de gota no dedo do meu pé, foi a pior dor que senti na vida (isso inclui as dores que senti na cirurgia bariátrica) e o médico deu indiretas que era por conta do meu peso, mas magina, “nada a ver”.

 

E COMO EU DECIDI FAZER A CIRURGIA?
Bom, eu não me aceito gorda. Se eu estou gorda é porque eu estou com algum problema. Não é preconceito ou algo do tipo, isso cabe só a mim, eu não me reconheço num corpo gordo, não sou eu, não é minha vida.  Eu convivo com algumas pessoas que fizeram e elas tem uma vida normal, continuam magras, saudáveis… Eu nunca pensei em fazer pois para mim era um “atestado de incompetência”. Imagine só, uma blogueira que sempre prezou pelo estilo de vida saudável, que sempre foi referência em patinação, que sempre foi incentivo de praticar esportes, fazer comidas saudáveis, sucumbindo à uma cirurgia bariátrica? Nada disso, eu já consegui uma, duas, três vezes e consigo quantas vezes eu quiser! Até aí eu não sabia o peso que eu estava. Nunca tinha pensado em fazer mas também não era contra, sabia que era uma decisão difícil e um caminho cheio de obstáculos. Mas eu precisava fazer algo. Fui em endócrino, pedi remédio, queria um pontapé para tentar emagrecer.  Ele me deu um que me fez cagar nas calças no sofá da minha sogra. Literalmente. Foi tanta humilhação e eu cada vez mais ficando desesperada. Até que eu caí na real e pensei: eu realmente preciso de ajuda. Vou procurar sobre essa tal de bariátrica aí, vou marcar um gastro pra entender melhor. Não contei para quase ninguém, só para duas amigas na mesma situação que eu. Porém no meu convênio o processo é diferente (eu só descobri depois) e a primeira consulta não foi com um gastro, foi uma avaliação bariátrica, ou seja, uma perícia para saber se eu me enquadrava na cirurgia. Quando fui fazer a avaliação, sabia que tinha passado dos 100 kg, mas imaginava uns 110 no máximo. A realidade: CENTO E VINTE E DOIS QUILOS! Já nesta perícia eu entrei no processo para a bariátrica, pois eu tinha o IMC, a circunferência abdominal, enfim, tudo o que precisava para entrar no processo, tanto que foi automático, depois dessa avaliação, o convênio já entrou em contato comigo solicitando documentos para aprovação da cirurgia. A partir daí, conversei com minha mãe, com o Pedro, com meu sócio, com minha avó, enfim, pessoas importantes na minha vida e TODOS apoiaram.

 

 

Obs: Eu não tinha nenhuma doença por conta da obesidade, eu queria fazer somente pela minha autoestima, sem hipocrisia. A cirurgia foi aprovada – não foi tão simples assim, mas isso é assunto para outro post – e dei início aos exames e laudos. Foi somente neste processo todo que realmente decidi pela bariátrica, eu fui sendo “convencida” a cada etapa, a cada pesquisa que eu fazia, a cada conversa com quem quer meu bem. Foquei principalmente em entender as mudanças, as dificuldades, a parte sofrida. Comecei a ir em outra psicóloga para tratar meu emocional, me preparar para a cirurgia e ali fui descobrindo a importância que ela teria na minha vida. E eu estava tão preparada que aconteceu e está acontecendo tudo exatamente da forma que eu imaginava. Operei em 20 de março de 2018, no Hospital IGESP – SP, técnica bypass, com o Dr. Renato de Godoy.

 

COMO ESTOU ATUALMENTE?
Com 42 quilos a menos em 5 meses! Estou pesando 85 quilos. Para alguns pode ser muito ainda, mas eu estou me sentindo a Luana novamente. Aos poucos vou contando como foi a cirurgia, o pós-cirúrgico, a dieta líquida, enfim, tudinho o que quiserem saber. Mas atualmente eu estou vida normal. E ter uma vida normal, sem medos, sem vergonha, sem dilemas, é tão bom. Hoje como de tudo, não passo mal com nada, mas tenho a vida que sempre gostei: acordo cedinho, vou pra academia, trabalho com o que amo, com uma equipe que amo, chego em casa, faço uma caminhada com meu cachorro e o namorido, fazemos o jantar juntos, preparo minha marmita fitness / saudável para o dia seguinte, arrumo as coisas da academia, de segunda e quinta faço aula de dança de noite, de final de semana levamos o Paçoca no parque, aproveito pra caminhar, andar de patins…

 

 

Enfim, hoje eu tenho o equilíbrio que sempre busquei e não consegui. De dia de semana eu fico bem certinha nos exercícios e alimentação (porque bariátrica não é milagre né nom?), de final de semana se eu quiser dar uma bicada na cerveja do Pedro tudo bem, se eu quiser comer um brigadeiro num aniversário tudo bem, se eu quiser preparar uma macarronada tudo bem. A diferença é que: eu descobri que minha compulsão alimentar era exatamente por estar gorda, isso virava uma bola de neve, eu não era gorda porque eu estava compulsiva, eu estava compulsiva porque era gorda e não aceitava. Hoje em dia, com o corpo que conquistei, eu não tenho mais ataques de compulsão, porque eu estou feliz, realizada, com o emocional muito mais equilibrado, porque eu amo o que vejo no espelho, porque eu posso usar uma calça jeans ou um vestido justo, porque eu posso usar o que eu quiser, fazer o que eu quiser, sentar na cadeira de plástico com braço que eu quiser. Pode parecer exagero para alguns, mas o trauma era tanto que eu não tinha vontade de ir em festas com medo de ser cadeira de plástico e eu não caber ou quebrar… mesmo agora quando vou em festa e vejo que a cadeira é de plástico me dá um certo desespero, enquanto eu não sento e vejo que eu caibo, que tá tudo bem, eu não fico tranquila! Hoje em dia eu como uma quantidade razoável, como bem até para uma bariatricada, mas não chega nem perto do que eu comia antes. Se tenho vontade de doce, 2 quadradinhos de chocolate 70% cacau me satisfazem. E tá tudo bem se eu não conseguir comer mais porque não cabe!

 

 

Eu não estou aqui pregando a cirurgia, ok? Se alguém pede minha opinião e a pessoa realmente precisa, eu incentivo, porém sempre digo que a bariátrica é o último recurso. A bariátrica é quando você chegou ao fundo do poço, quer se reerguer mas precisa de uma cordinha para começar a subir de volta. A bariátrica é essa cordinha. Todo o resto depende do seu esforço, disciplina, objetivo, determinação. Isoladamente falando, é sim o caminho mais fácil para perder peso, mas todo o resto… ah meus queridos, todo o resto vocês vão descobrindo nos próximos posts, porque não é nada fácil!

 

Author: Luana Fernandes

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4 Comments

  1. Incrível!
    Eu já lia seu blog antes disso tudo.
    Passei a ver seu Instagram a pouco tempo e quando vi que vc tinha feito bariátrica fiquei meio chocada. Mas tenho acompanhado seus histories e posts e acho q foi uma das melhores atitudes e decisões.
    Bariátrica não é opção de preguiçoso e tals
    É uma opção que passou a existir e ainda bem que desenvolveram essas técnicas.
    Só que foi ou está gordinho sabe bem o q é fazer dietas e e passar fome praticamente e não ter resultado!
    Parabéns
    Que vc continue com seus objetivos de peso e de saúde!

  2. Oi Luana!
    Faz tempo que acompanho seu blog, percebi seu “sumiço” aqui desde o último post, mas não tinha te procurado no insta, na verdade acabei esquecendo, são tantas coisas na nossa cabeça, né… Agora eu me deparei com esse seu post e, em primeiro lugar, te parabenizo pela importante decisão (que não é nada fácil, eu bem sei disso). Também fiz bariátrica há 3 anos e 7 meses (caraca, como o tempo passa!), e não costumo “levantar a bandeira” sobre a cirurgia, nem recomendá-la a qualquer pessoa. Cada um é cada um, o que serviu pra mim, pode não servir para o outro, e tals. Mas não me arrependo em momento nenhum por ter feito a cirurgia. Eu também havia chegado ao fundo do poço (fiz com 131,5 kg!) e não via outra alternativa pra mim… a compulsão havia tomado conta! Mas eu queria tanto voltar a me sentir eu mesma, a me reconhecer… confesso que eu preferia não ter chegado ao ponto de operar (admito, sem hipocrisia); mas ainda bem que houve esse recurso e essa possibilidade e, principalmente, ainda bem que tudo deu certo! \o/ Eliminei mais de 60 kg, estou num peso normal pra mim, como de tudo também (de tudo mesmo), quem segue meu insta já sabe que eu não sou nada fitness! rsrs; enfim, mas brincadeiras a parte, eu vivo totalmente sem paranóias e numa relação normal com a comida. 🙂

    Te desejo uma ótima recuperação, que você continue com o acompanhamento do seu médico e equipe multidisciplinar, segundo as prescrições, e que continue emagrecendo o que for necessário PRA VOCÊ e chegue no peso que VOCÊ se sentir bem. Os outros serão sempre os outros. “Cada um sabe onde aperta seu sapato”, né não?! 😉

    Obs: acabei de te seguir lá no Instagram. Se quiser me acompanhar também, será muito bem vinda. ♥ Não me considero “exemplo” ou “modelo” pra ninguém, vivo uma vida totalmente normal e mostro a minha realidade. 🙂
    beijos!

  3. Oi, Beliza! É verdade, bem isso mesmo, eu também tinha um pouco de preconceito com a bariátrica mas chega uma hora que a gente precisa assumir que precisa dessa ajuda! Beijos

  4. Oi, Angela! Pois é, eu demorei a contar sobre minha decisão de fazer bariátrica com medo de julgamentos, só contei mesmo depois que estava feita e estava tudo bem, mas foi apenas um engano meu, não teve NINGUÉM que foi contra ou que me criticou, sempre viram minha luta e me apoiaram e fiquei muito feliz com isso! E estou me sentindo exatamente como você falou, voltei a ser eu mesma. Atualmente faço acompanhamento com psicóloga (nunca vou largar <3), nutrólogo e cirurgião, faço exames de 3 em 3 meses. Eu sou bem certinha quanto a isso, eu só precisava de um empurrãozinho mesmo e a bariátrica está sendo exatamente como eu queria e imaginava. Beijão!

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